
Pois é, hoje foi o grande dia!
Acordei pelas 5h45, ainda escuro... a dona da pensão estava do lado de fora do quarto esperando prá me ver sair (vai entender...).
Montei toda a bagagem, vesti toda a roupa que trouxe e saí quando a primeira clareada aparecia no horizonte... percorri apenas 30km até que houvesse luz ambiente pro hodômetro ficar legível.
Dia claro e limpo, de céu azul!

Desta vez a surpresa foi um desabamento da beirada da pista, que ontem não estava lá... em compensação vários dos blocos de pedra que estavam caídos na pista ontem já tinham sido removidos.
Não passei tanto frio quanto ontem, mas passei frio sim! Após os primeiros 60km, que tem trechos travados, a estrada percorre amplos vales suspensos e é possível acelerar... mantive 105km/h por cerca de 30km, depois tive que reduzir a velocidade devido ao frio... as mãos estavam duras de frio mesmo com os tampamanos, e fez falta um daqueles "babadores" de neoprene que protegem pescoço e queixo, que eu nem sentia mais... a uns 80km/h já dava prá aguentar bem melhor... mas em La Gruta (a aduana argentina) reparei que a água que tinha vazado do bocal da mangueira do hidratador e escorrido pelo bolso da jaqueta tinha congelado!
A subida pro PSF (o lado argentino) com a luz do nascer do sol é um arregaço de bonita... levei quase 4h prá percorrer 200km, de tanto que parei prá tirar fotos, e só não parei mais devido ao frio!

Com direito a rebanhos de vicuñas!

O trâmite na Aduana Argentina foi rápido, fácil e cordial. Liberado, empurrei a moto pro outro lado da cancela e fui completar o tanque... coloquei 6 das 7 garrafas que levei, fiquei achando que com a sétima transbordaria e deixei a última prá depois, se necessário.

Parei no "topo do morro" (4768m) prás fotos tradicionais, além de baixar os pneus prá umas 22 libras, pois ali começava o temido rípio!

Honestamente, melhor que muita estrada asfaltada no Brasil... poucos foram os trechos em que tirei o peso do banco e coloquei nas pedaleiras, e não fiquei de pé nenhuma vez.

Lá em cima não achei tão frio assim, mas que tinha gelo na beira da estrada, tinha...

No começo fui devagar, 60km/h, mas tirando duas serras cheias de curvas com cascalho na descida, o resto de rípio tinha pouco, era terra batida mesmo, e dava prá ir a 150km/h fácil (coisa que, estando sozinho e passeando, não fiz... :-) )

O trâmite na Aduana Chilena foi cordial, mas tudo menos fácil e rápido... primeiro tem que passar pela Polícia Internacional, depois pelos Carabineros, depois pela Aduana e finalmente pela Vigilância Sanitária... em todos esses balcões, apresentar documentos, explicar qual seu nome e qual o sobrenome que veio da mãe e qual o que veio de pai (prá eles faz diferença...), livros a serem preenchidos à mão, formulários idem, e a Vigilância Sanitária me fez tirar tudo da moto...
Cheguei em El Salvador pelas 16h... peguei um hotel mais-ou-menos pela bagatela de 30.000 pesos! (cerca de R$120)
Amanhã vou para Copiapó, se por lá os preços forem os mesmos, vou abortar o resto do passeio na região do Paso San Francisco e ir direto para Coquimbo, atravessando o Água Negra na segunda-feira


















