sábado, 28 de fevereiro de 2009

Dia 7: Paso San Francisco



Pois é, hoje foi o grande dia!

Acordei pelas 5h45, ainda escuro... a dona da pensão estava do lado de fora do quarto esperando prá me ver sair (vai entender...).

Montei toda a bagagem, vesti toda a roupa que trouxe e saí quando a primeira clareada aparecia no horizonte... percorri apenas 30km até que houvesse luz ambiente pro hodômetro ficar legível.

Dia claro e limpo, de céu azul!



Desta vez a surpresa foi um desabamento da beirada da pista, que ontem não estava lá... em compensação vários dos blocos de pedra que estavam caídos na pista ontem já tinham sido removidos.

Não passei tanto frio quanto ontem, mas passei frio sim! Após os primeiros 60km, que tem trechos travados, a estrada percorre amplos vales suspensos e é possível acelerar... mantive 105km/h por cerca de 30km, depois tive que reduzir a velocidade devido ao frio... as mãos estavam duras de frio mesmo com os tampamanos, e fez falta um daqueles "babadores" de neoprene que protegem pescoço e queixo, que eu nem sentia mais... a uns 80km/h já dava prá aguentar bem melhor... mas em La Gruta (a aduana argentina) reparei que a água que tinha vazado do bocal da mangueira do hidratador e escorrido pelo bolso da jaqueta tinha congelado!

A subida pro PSF (o lado argentino) com a luz do nascer do sol é um arregaço de bonita... levei quase 4h prá percorrer 200km, de tanto que parei prá tirar fotos, e só não parei mais devido ao frio!



Com direito a rebanhos de vicuñas!



O trâmite na Aduana Argentina foi rápido, fácil e cordial. Liberado, empurrei a moto pro outro lado da cancela e fui completar o tanque... coloquei 6 das 7 garrafas que levei, fiquei achando que com a sétima transbordaria e deixei a última prá depois, se necessário.



Parei no "topo do morro" (4768m) prás fotos tradicionais, além de baixar os pneus prá umas 22 libras, pois ali começava o temido rípio!



Honestamente, melhor que muita estrada asfaltada no Brasil... poucos foram os trechos em que tirei o peso do banco e coloquei nas pedaleiras, e não fiquei de pé nenhuma vez.



Lá em cima não achei tão frio assim, mas que tinha gelo na beira da estrada, tinha...



No começo fui devagar, 60km/h, mas tirando duas serras cheias de curvas com cascalho na descida, o resto de rípio tinha pouco, era terra batida mesmo, e dava prá ir a 150km/h fácil (coisa que, estando sozinho e passeando, não fiz... :-) )



O trâmite na Aduana Chilena foi cordial, mas tudo menos fácil e rápido... primeiro tem que passar pela Polícia Internacional, depois pelos Carabineros, depois pela Aduana e finalmente pela Vigilância Sanitária... em todos esses balcões, apresentar documentos, explicar qual seu nome e qual o sobrenome que veio da mãe e qual o que veio de pai (prá eles faz diferença...), livros a serem preenchidos à mão, formulários idem, e a Vigilância Sanitária me fez tirar tudo da moto...

Cheguei em El Salvador pelas 16h... peguei um hotel mais-ou-menos pela bagatela de 30.000 pesos! (cerca de R$120)

Amanhã vou para Copiapó, se por lá os preços forem os mesmos, vou abortar o resto do passeio na região do Paso San Francisco e ir direto para Coquimbo, atravessando o Água Negra na segunda-feira

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Dia 6: Tinogasta (AR) a Fiambalá (AR)

Dia de descanso, apenas 50km prá percorrer, e isso apenas prá economizar meia-hora amanhã cedo...

No hotel que fiquei em Tinogasta se hospedou um casal de franceses, ela numa Transalp e ele numa Africa Twin... conversamos um pouco hoje pela manhã, eles devem atravessar para o Chile pelo Paso do Cristo Redentor (asfalto).



Saí de mala e cuia com a idéia de percorrer os primeiros 100km de estrada após Tinogasta, trecho que amanhã provavelmente não verei, por sair ainda escuro... mas aguentei apenas 65km... muito frio! (eu estava de camiseta, jaqueta e luvas de cross)... quando fiz meia-volta tive que parar e esquentar as mãos no escapamento...



Essa estrada, apesar do asfalto bom, é bem perigosa... a cada curva pode haver uma surpresa: cascalho numa curva, um baden (depressão na pista em que a enchurrada atravessa, ao invés de fazer uma ponte sobre a mesma ) repleto de lama e pedrisco (e alguns pedregulhos maiores), rochas despencadas da encosta no meio da pista, e até um desmoronamento que quase bloqueou a pista! Realmente tem que ir devagar...



De positivo, o visual, com rocha de tudo que é cor...



Voltei prá Fiambalá e quando entro na cidade, uma surpresa: um posto de gasolina! Genérico, mas um posto...

Arrumo outro muquifo (afinal nao vou nem tomar café da manhã, saio muito cedo), descanso um pouco e resolvo dar um pulinho em Tinogasta prá acessar a internet (que ontem estava funcionando aos soluços, consegui subir apenas duas fotos) e abastecer (genérica só se não houver opção...).



Chegando em Tinogasta paro em frente à lan house e enquanto tiro a armadura vem um sujeito e puxa conversa... conversamos sobre viagens pela América do Sul (e me deu boas dicas prá Bolívia), me chamou pro seu escritório (ali em frente, é advogado) e me passou telefone e endereço de parentes e conhecidos em diversas cidades no meu itinerário, pro caso de ter algum problema, depois me convidou prá almoçar na sua casa... e lá vou eu, chato prá comida, especialmente carne, encarar o que vier... foi um enspoado de carne com batata e abóbora, com pão e salada de alface e tomate, com direito ao tutano do osso no pão no final... mais um tipo de goiabada de sobremesa... estava bom!

Depois de umas duas horas pedi licença e vim aqui prá lan house subir mais algumas fotos.. daqui a pouco encho o tanque do cagivão, as 7 garrafas pet de 2l, e vou prá Fiambalá arrumar tudo prá amanha.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Dia 5: Catamarca (AR) - Tinogasta (AR)

Como o café da manhã nos hotéis na Argentina é pobre... uma caneca de café sem gosto e dois croissants, e só!

Bom, troquei o óleo, no bom sentido... ou mau, depende do referencial :-)

Achei o Elf semi-sintético que usei ano passado, vamos ver se a performance (consumir 200ml/1000km) se repete.

Saí de Catamarca pelas 10h15... honestamente, não gostei da cidade... muito movimentada, e cara... prefiro as cidade pequenas.



Catamarca está a 500m de altitude, a primeira serrinha começou com curvas deliciosas, raio constante, daquelas de acertar a inclinação e só controlar no acelerador, uma delícia... mais pro alto dessa serra devem ter mudado o engenheiro responsável, as curvas passaram a ser pequenos segmentos de reta unidos por cantos... isso quando não tinha uma com raio decrescente... uma bosta!



Saindo desta serra chegamos a um vale a cerca de 800m da altitude, depois subimos lentamente (passando por verdadeiros desertos), sem perceber, até os 1200m em que está Tinogasta. Tudo com muitas plantações de oliveiras, que parece ser a cultura comercial da região.



Cheguei aqui pelas 14h30, achei um hotel baratinho e bom (Viñas del Sol), descansei um pouco (estou pegando o jeito... entre 12h e 18h não adianta tentar fazer nada, está tudo fechado menos as sorveterias), depois fui procurar uma gomeria prá montar o pneu dianteiro que venho carregando desde Sampa sobre o bauleto... o que está montado tem 20.000km e até que rodava mais uns 1.000 ou 2.000km, mas não no rípio!



O gomeiro disse que por estes dias desceu um grupo de 20 motociclistas brasileiros do Paso San Francisco, e que alguns deles já deviam ter mais de 60 anos...

Estou gostando bastante de Tinogasta...amanhã é dia de descanso e reconhecimento... pretendo percorrer os primeiros 100km da subida pro Paso San Francisco, pois no sábado devo sair ainda escuro prá garantir ter luz prá chegar no destino no lado chileno, e não vou ver nada desse pedaço inicial.

Na medida do possível, estou subindo fotos pro filckr e colocando no post de ontem, depois coloco algumas neste aqui.

Tenho experimentado prá ver qual gasolina usar... qualquer uma delas se rodar acima de 4500 giros consome na casa de 14km/l... a comum, se ficarmos a 4500 grios (cerca de 105km/h) faz 16km/l, a super da YPF nessas condições faz 17,5km/h e a super da Petrobrás fez 19km/l.

Como aqui em Tinogasta, último ponto de abastecimento antes do Paso, só tem um posto YPF, adivinha que gasolina vou usar?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Dia 4: Vera (AR) - Catamarca (AR)

Acertei meu relógio, por aqui apesar de estar bem a oeste, está uma hora adiante de Sampa, eles ainda devem estar em horário de verão.

De qualquer forma, está clareando pelas 7h... ontem já dei a geral na moto (completar óleo e lubrificar corrente), hoje foi só empacotar, tomar café da manhã, dar uma entrevista prá televisão (o repórter ficou de postar no youtube e me mandar o link por email, se ele cumprir posto por aqui), e às 8h15 estava saindo.

Correndo atrás da minha sombra...



Dia um pouco mais confuso, com várias trocas de estrada, e os primeiros morrinhos num tempão, é de fazer qualquer pneu ficar quadrado... pena que foi uma serra curtinha, mas bem travada, 40km/h.



E peguei rípio também, havia um trecho de 22km de serra em obras, só na base de cascalho... com os carros junto não foi legal, muito pó...

Quando desco prá Catamarca uma vespa se estatela no meu pescoço, e tem o dom de achar o centímetro quadrado de pele exposta no colarinho prá me picar, bem no gogó... doeu pacas!

Cheguei cedo em San Fernando del Valle de Catamarca, rodei um pouco procurando hotel, estão caros (o mais barato foi 100 pesos), acabei ficando num muquifo, mas quando vi quão muquifo era já tinha descarregado e estava com preguiça de carregar a moto de novo.

O pé desinchou bastante, amanhã vou parar com o anti-inflamatório - a cerveja está fazendo falta...

Amanhã vou trocar óleo e o pneu dianteiro, depois me mando prá Tinogasta.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Dia 3: Casa Cati (AR) - Vera (AR)

Ontem à noite, saindo do "restaurante", fui dar uma volta na praça... chego lá e um cachorro, 90% boxer pela aparência, vem em linha reta do centro da praça, nem investiga, já vem direto se enroscando nas minhas pernas e pedindo carinho... até parecia um velho conhecido! Me acompanhou metade da volta na praça, indo na frente de "batedor" e marcando árvores e postes nas esquinas.

Juro que se fosse possível eu levava prá casa!

Durante a noite o tornozelo direito doeu bastante, hoje pela manhã alguns dedos da mão esquerda tambem estavam doloridos, e eu nem lembro de ter batido a mão em nada no tombo... estou tomando anti-inflamatório, vamos ver como progride nos próximos dias (pelo local que dói o culpado foi um dos fechos da bota).

Estrada bonita até Goya, pampas e banhados, bandos de pássaros voando sobre ela... cheguei lá por volta do meio-dia, esperando pegar a balsa prá Reconquista às 13h (pelo que havia lido na internet), chego no porto e a balsa só sai às 16h... volto prá cidade, abasteço e almoço no primeiro posto que encontro na Argentina que aceita cartão.



Volto pro porto, eu e a moto são 50 pesos (salgado!), e o embaço indescritível...

A travessia dura 2h30... valeu pela paisagem, mas muito embaçado, se tivesse atravessado por Corrientes e descido por estrada até Reconquista teria chego umas duas horas antes, e gasto o mesmo.



Aportamos em Reconquista pelas 18h30, tive que abortar chegar em Tostado... apesar de haver luz para tal, seria dirigir direto pro por do sol, não daria pra ver nada com o sol na cara... preferi dormir 150km antes, em Vera.

Durante o dia a mão esquerda e o tornozelo direito pararam de doer, mas o tornozelo estava um pouco inchado quando tirei a bota, porém sem hematomas.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Dia 2: Toledo (PR) - Casa Cati (AR)

Acabei saindo mais tarde do que pretendia... até acordei na hora, mas ainda estava escuro e fiquei enrolando. Acabei saindo pelas 8h15, num dia de sol muito bonito (enquanto estava fresco...).

Chegando em Foz do Iguaçu o tempo mudou, nuvens negras e vento forte, tempestade na certa... atravessei prá Argentina e evitei o pior.



A alfândega foi rápida, mas não (este teclado espanhol nao tem til...) me deram nenhum papel de entrada da moto, só espero não ter problemas na hora de sair pelo Paso San Francisco.

Perto de Posadas, um pampa só, resolvo encostar prá tirar uma foto... o acostamemto é grama, só quando já estava nele que vi que na verdade é lama... resultado: o primeiro terreninho da viagem, com as rodas mais altas que o tanque e meu pé direito preso sob a moto... ainda bem que estou com bota nova, mais reforçada, com a velha teria me machucado.

Espero uns 10 minutos e ninguém pára prá ajudar a tirar a moto de cima de mim, o jeito é me virar sozinho mesmo... com algum esforço (e uma torção do tornozelo) livro o pé, levanto e vou tentar levantar a moto... nem a pau, Juvenal!



A bagagem não deixava pegar a alça do bagageiro, e só pelo guidão não teve jeito... toca tirar toda a bagagem da moto, levantá-la, e depois prender a bagagem novamente... meia-hora perdida prá tirar uma foto!



De positivo, já sei o que fazer quando tombar, e a dor na bunda sumiu... o resto do dia foi uma tranquilidade...

Chegando no destino pelas 17h, San Miguel, começo a me preocupar: parecia ser uma cidade "de primeira" ... ruas de terra (quer dizer, lama, deve ter chovido boa parte do dia), só vi dois comércios (mercearias)... restaurante e hotel, nem pensar! Isso que dá não combinar com os russos antes...

Decido ir prá Corrientes, apesar de ser voltar, pois adiante havia cortinas de chuva no horizonte e eu não estava com vontade de vestir a capa de chuva... pego uma estrada provincial e uns 30km depois entro numa cidadezinha, Nossa Senhora del Rosario de Casa Cati... parece uma cidadezinha do interior da Bahia, ruas calçadas com lajotas, casas térreas simples, algumas no estilo colonial, e UM hotel na cidade (mas vários comedores...).

Fiquei por aqui mesmo!

Estou carregando algumas fotos, mas a internet aqui é bem devagar, se terminar o upload eu insiro elas aqui, senão fica prá amanha...

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Dia 1: Sampa - Toledo (PR)

Saí de casa ontem no começo da noite, fui prá casa do Danilo..

Ele está com bebês novos (dois filhotes de dog alemão, Oto e Wolf, com cerca de dois meses de idade), e eu não resisti a ir conhecê-los...



Saí da casa dele por volta das 7h20... dia compriiiiiiiido e quente... me mantive em torno de 115 a 120km/h, parei três vezes prá abastecer... depois do último abastecimento, cansei!



Viajar pro oeste tem esse problema, na parte mais quente do dia (depois das 14h) o sol está no peito e depois na cara... mesmo com filtro solar fator 50 meu pescoço está vermelho na faixa entre a jaqueta e o capacete.

Foram quase 990km... 700km teriam sido de bom tamanho, os últimos 290km foram fazendo conta prá ver quanto faltava.

O GPS funcionou maravilha, eu carreguei as rotas que havia gerado com o software da Garmin e ele interrompia a música prá me avisar quando estava na hora de mudar de estrada - realmente não precisa mais ficar acompanhando no mapa na mala de tanque (que no caso de regiões confusas, com muitas estradas, carece parar no acostamento prá descobrir onde olhar no mapa...)

Cheguei em Toledo pelas 18h15, ainda com luz... peguei hotel, tomei banho e saí prá procurar o que comer e ainda estava claro.

Toledo é uma cidade plana, espalhada, com avenida (a que vi :-) ) larga, com ciclovia no meio, poucos prédios, em geral até 3 andares. O point da cidade é um calçadão em torno de um lago (a volta deve ter cerca de 1km), fica todo mundo com cadeiras no calçadão, ou dando a volta a pé... muita motos pequenas e scooters parados, alguns mal-educados partilhando seu gosto musical com o mundo, diversos bares na orla, e um shopping center com praça de alimentação, onde achei algo com cara de restaurante (não estava fim de sanduíche e batatas fritas!).

Foi um filé ao molho mostarda (muito bom!) com um chopp escuro simplesmente divino (metade da primeira caneca foi num único gole!).



Amanhã o dia é um pouco mais curto, mas tem a alfândega argentina... ano passado levou mais de hora, vamos ver amanhã.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Planejando ...

Há uns dois anos vi fotos e li sobre o Paso San Francisco no forum do Clube XT600... a vontade de rodar por aquelas bandas foi imediata.

No início do ano passado (2008) saí de São Paulo com mais dois amigos com a intenção de percorrer o Passo Jama, conhecer San Pedro de Atacama, voltar prá Argentina pelo Paso Sico, atravessar novamente pro Chile pelo Paso San Francisco e finalmente voltar pelo Paso Água Negra.

Como "nós não combinamos com os russos" (como diria o Mané), o realizado foi um tantinho diferente do planejado... uma das motos travou o motor nos primeiros 500km de viagem e, embora tenhamos consertado a mesma, ficou a pulga atrás da orelha e abortamos os trechos mais isolados da viagem... de San Pedro do Atacama rumamos até o Pacífico, descemos até perto de Valparaíso e atravessamos para Mendoza pelo Cristo Rendentor.

E os passos San Francisco e Água Negra ficaram para outra oportunidade...

Postei a idéia da viagem nos grupos de motociclistas de que faço parte, mas os amigos que se interessaram não podem viajar este ano, assim restou ir sozinho, ou abortar e esperar outro ano....

Nunca fui bom em esperar... a oportunidade é agora, o jeito é ir com cuidado, passeando.

Devo sair de casa no sábado, dia 21 de fevereiro... à medida que encontre lan houses pelo caminho (e o cansaço permita), vou postando sobre a viagem.

Mapa com o roteiro planejado