quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Fechando as contas

Foram 6540km em 16 dias, numa média de 726 km por dia de estrada... na verdade o dia mais longo foi de 1105km (houve três dias com mais de 1000km), enquanto o dia de estrada mais curto foi de cerca de 450 km.

Gastei 470 litros de gasolina, numa média de 13,95 km/l. Essa gasolina custou R$1330, dando um custo médio de R$2,83 por litro e R$0,20 por km. Gastei R$78 com pedágios (no Paraná apenas... em São Paulo, Argentina e Paraguai motos são isentas).

A hospedagem custou R$945 por 12 noites, numa média de R$79 por noite por pessoa em quarto triplo.

A hospedagem e alimentação durante a excursão prá Uyuni estava inclusa no pacote, que custou US$220 por pessoa, mais R$72 de entradas de parques.

Alimentação custou R$911, ou R$76 por dia (a excursão prá Uyuni à parte...).

De pacotes de passeios e entradas de parque, etc, gastei R$940, levando o total da viagem para R$4200.

A gasolina na Argentina custou em média 9,547 pesos por litro. Ao câmbio oficial (6 pesos/dolar) isso dá USD 1,591 por litro, no blue (o paralelo deles) isso dá USD 1,061 por litro - a R$ 2,40 por dolar no nosso câmbio turismo isso dá R$ 3,819 por litro no oficial e R$ 2,546 no blue.  A diferença é brutal, e vale a pena gastar tempo procurando um cambista na primeira cidade maior pelo caminho - deveríamos ter feito isso logo em Puerto Iguazú... fizemos isso só em Corrientes, mas mesmo assim trocamos só metade dos dolares que deveríamos ter trocado e no final pagamos hospedagem em Formosa pelo câmbio oficial (mais o nosso IOF... foi no cartão de crédito, a pior escolha na Argentina).

No Chile a gasolina de 93 octanas (RON se não me falha a memória) custou cerca de 820 pesos por litro, o equivalente a USD 1,577 por litro (R$ 3,785 por litro). mas se eu tivesse feito o câmbio direto de reais prá pesos chilenos, ao invés de comprar dolares, sairia R$ 3,727 por litro... isso devido à conversão de reais prá dolares pelo câmbio turismo aqui no Brasil, que levou a um câmbio de 216,667 pesos chilenos por real, enquanto em San Pedro de Atacama as casas de câmbio pagavam 220 pesos chilenos por real. Vale a pena levar reais e trocar lá.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Dia 16 (12 de dezembro): Foz do Iguaçu a Sampa

O Jaime e o Edílson devem ter esquecido de colocar um despertador prás 4h, pois acabaram acordando e levantando pelas 6h.

Levantei por último, enquanto eles arrumavam as coisas, e desci pro café da manhã depois deles descerem prá colocar a bagagem nas motos.

Eles devem ter saído pelas 7h30, eu fui sair lá pelas 9h30, após fechar a conta do hotel (R$540 prá três pessoas por duas noites com a despesa do frigobar).

Estou rodando por Foz de Iguaçu em direção à estrada quando um cara num carro faz sinal prá encostar, apontando prá traseira da moto... eu pensei que havia algo errado com a bagagem e encostei, mas não era nada disso, era um cagiveiro de Foz, o Papito... ficamos bem uma meia-hora batendo papo, depois segui viagem.

Tava tudo indo tranquilamente até perto de Guarapuava, quando vi uma baita chuva no horizonte e o mapa da estrada no GPS dizia que eu ia em direção a ela... como a esperança é a última que morre, continuei, com a esperança de passar apenas pela borda da chuva... dito e feito, mas mesmo assim foi o suficiente prá me ensopar todo, e o pior, a moto perdeu potência por um pequeno trecho, recuperou, mas uns 10 km depois perdeu novamente e não recuperou mais: dava prá fazer uns 60 km/h no plano, mas na subida caía pruns 30 km/h! Isso eram 15h30 e faltavam quase 600km prá Sampa.

Abasteci uns 30km depois disso (média de 16,22 km/l) e a moto passou a recuperar um pouco, dava prá chegar em 5.000 rpm e manter uns 90 a 100 km/h no plano e uns 60 km/h na subida, mas perto de Castro ela pediu reserva com 159 km rodados... abasteci e deu uma média de 7,74 km/l!

Resolvi ir na manha, rodando até uns 60km/h e 3.000 rpm, e parar quando ficasse cansado demais - já não contava de chegar em Sampa hoje. Antes de sair do posto fui olhar as velas... a traseira ficava pouco acessível sob a lateral do tanque e eu fiquei com medo de tirar o cachimbo e não conseguir colocar de novo (aí teria que tirar toda a bagagem, o banco e o tanque de combustível, coisa que eu não queria fazer se pudesse evitar), mas a dianteira estava fácil... tirei o cachimbo dianteiro, dei a partida e o motor não pegou - o cilindro traseiro não funcionava.

Como eu não queria mexer na vela traseira, fui olhar os CDIs (eu não sabia qual era de cada cilindro)... soltei o CDI da frente e um dos conectores do mesmo se soltou, tentei ligar a moto e nada - esse era o CDI do cilindro traseiro. Tentei soltar o CDI de trás (o do cilindro dianteiro), pensando em trocá-los e ver se o problema era CDI (eu tinha CDIs de reserva na bagagem), mas não consegui soltar os conectores do CDI de trás, minha mão não entrava o suficiente no espaço entre a carenagem e o tanque - como a moto rodava, resolvi seguir assim mesmo, com uma e450 ao invés de uma e900.

Fui de cidade em cidade (Itararé, Itapeva, Capão Bonito, Itapetininga, Tatuí, Boituva), parando a cada 2h, cerca de 120km, com a moto fazendo cerca de 10 km/l, e cheguei em casa pelas 4h30 do da sexta-feira 13 de dezembro - foram 19 horas de estrada, 13 delas prá percorrer os últimos 600km.

Dormi algumas horas, descarreguei e fui de e450 até o Hall prá ver o que havia acontecido. Ele tirou fora o tanque, olhou as velas, viu que não havia faísca na vela traseira, trocou os CDIs de posição e voilá, faísca no cilindro traseiro (isso era o que eu queria ter feito na estrada mas não quis desmontar tudo).

Ele me mostrou que dava prá tirar a vela do cilindro traseiro sem tirar o tanque (o vão era suficiente), e que se soltasse os parafusos da carenagem esquerda dava prá puxá-la um pouco prá fora e ter espaço prá mexer no CDI.

Mais ainda, se eu tivesse tirado a vela do cilindro traseiro o cilindro dianteiro não teria que trabalhar prá comprimir mistura que não seria queimada no cilindro traseiro, e nem haveria vácuo no ciclo de admissão prá criar venturi no carburador - a moto provavelmente teria rodado pelos 16 km/l mesmo monocilindríca!

Vivendo e aprendendo!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Dia 15 (11 de dezembro): Foz do Iguaçu

Dia de descanso prá ver as cataratas.

Após o café-da-manhã perguntamos prá concierge o esquema do passeio no lado argentino. Ficamos sabendo que prá ir com a van deles já era tarde (ela tinha saído às 8h), que tomava o dia inteiro e que se quiséssemos fazer o passeio de barco na base das cachoeiras deveríamos procurá-lo assim que chegássemos.

O Edílson resolveu dar uma pulo no Paraguai prá muambar (ele queria um Garmin específico prá moto) e nos encontrar em Puerto Iguazu mais tarde pro jantar, assim fomos eu e o Jaime prás cataratas no lado argentino.

Parei prá abstecer no caminho... na travessia do Paraguai, rodando a menos de 100 km/h, o Cagivão fez 17,3 km/l.

Chegando no parque das cataratas a entrada e o estacionamento (115 pesos e 20 pesos) acabaram com meus últimos pesos argentinos. Há um guichê de câmbio, mas o mínimo que eles trocam é US$100.

Há 3 circuitos a pé: o inferior (na base das cachoeiras), o superior (no topo) e o da Garganta del Diablo. Para chegar no início dos dois primeiros se pega um trenzinho por uns 5 minutos até uma estação intermediária, e pro incío da trilha prá Garganta del Diablo se pega outro trenzinho a partir dessa estação intermediária por uns 15 minnutos (é longe).

O embarcadoro pro passeio de barco fica no meio do circuito inferior.

Num quiosque perto da entrada do parque agendamos um passeio de barco prá dali a hora e meia (11h40), mais a volta da Garganta del Diablo de bote ao invés de de trem por 240 pesos (no cartão) e seguimos pro circuito inferior.

Paramos tanto prá tirar fotos das cachoeiras e dos quatis (há diversas famílias com uma dúzia de filhotinhos na mata, e os filhotinhos se comportam como macacos nas árvores, um barato de ver) que chegamos em cima da hora pro passeio de barco.

Tudo que eu posso dizer sobre o passeio de barco é que você sai ensopado e vale cada centavo... chegamos tão perto da cortina d'água de uma das cachoeiras que eu só não enfiei a GoPro (que estava na ponta de um bastão) na água por medo da pancada arrancá-la da minha mão!

Seguimos pro circuito superior, depois pegamos o trenzinho pro início da trilha pra Garganta del Diablo, e pé na trilha!

A Garganta do Diablo é fantástica, mas o volume de água estava tanto que a névoa gerada pela queda d'água escondia tudo da metade da queda prá baixo... só dava prá ver os bandos de andorinhas mergulhando no meio da névoa.

Pegamos o bote de volta prá estação inetrmediária do trenzinho. O bote é a remo, vai na correnteza com os remos apenas prá controle. Havia uma família com 3 crianças pequenas (de 3 a 7 anos) que tornaram o passeio mais interessante...

De repente o Jaime recebe um SMS do Edílson dizendo que ele estava da Garganta del Diablo! Respondemos que esperaríamos por ele no boteco da estação intermediária e fomos atrás de cerveja enquanto esperávamos.

Como o Edílson tinha ido direto prá Garganta del Diablo, repetimos o circuito inferior com ele, depois fomos embora que já era quase hora do parque fechar.

O passeio das cataratas do lado argentino ée muito melhor que do lado brasileiro, e dá prá fazer tudo em umas 3 ou 4 horas.

Fomos prá Puerto Iguazú jantar no Quincho del Tío Querido, um restaurante bem cotado que é dedicado a estrangeiros. Pedimos a especialidade da casa, bife de chorizo, e vinho. O bifé estava bonito e macio, mas achei com pouco sabor. De sobremesa pedi um brownie com salsa patagonica (brownie de chocolate, sorvete de creme, amoras e calda de frutas vermelhas, muito bom).

A conta saiu uns R$250, não me deixaram pagar (disseram ter me prometido um jantar pelo trabalho de pesquisar os hotéis, passeios e fazer as reservas). Acabei pagando apenas os 10% do garçon, que não podia ser no cartão.

Na volta, fila na aduana argentina, depois uma parada no freeshop entre as aduanas, e estávanos no hotel pelas 11h.

O Jaime e o Edílson já arrumaram as coisas, pois pretendem sair às 4h prá chegar em Sampa antes do trânsito. Eu, como vou sem pressa, pretendo arrumar tudo pela manhã e chegar em casa pela meia-noite, ou dormir pelo caminho se estiver cansado.

Dia 14 (10 de dezembro): de Formosa a Foz do Iguaçu

Dia não tão longo, apenas 500km, mas que pareceu muito mais.

Saímos do hotel pelas 8h30, fui atrás do Jaime e do Edílson até o primeiro posto, onde parei prá completar o tanque (15km/l) e o camelback, depois foi tocar em direção ao Paraguai.

Parei em Clorinda prá completar o tanque e ir no banheiro antes de atravessar pro Paraguai.

A fronteira é uma balbúrdia... mal cheguei e um paraguaio fala prá eu estacionar junto ao meio-fio no meio do "terminal", o que foi bom, pois dava prá ver a moto das filas nos guichês.

Foram 2 guichês, um muito demorado da imigração argentina prá dar a saída (no da aduana argentina não tinha ninguém atendendo) e outro rápido na imigração paraguaia. Fiz um câmbio de US$20 para 80.000 guaranis (não pesquisei a taxa de câmbio antes de sair de Formosa e fui tapeado em cerca 10%), dei 10.000 guaranis pro cara que me indicou os guichês, e vamos enfrentar o trânsito paraguaio.

O limite de velocidade vai de 60 km/h até 80 km/h, e são poucos os que andam a mais que 60 km/h (até porque creio que os veículos empregados não conseguem). O "cinturão de pois-é" de Assuncion se estende por quase 180km, lembrando muito rodar pela periferia de São Paulo. Depois, passa a lembrar uma BR-116 há uns 30 anos, com limite de velocidade de 80 km/h e caminhões que não passam de 60 km/h.

Até eu que ando devagar fiquei de saco cheio!

Por outro lado, não senti risco de segurança em momento algum, nem fui importunado por policiais, corruptos ou não.

Parei em Caaguazu prá um lanche (15.000 guaranis) e colocar 50.000 guaranis de gasolina (cerca de 8,7 litros) no tanque prá não chegar na reserva em Foz.

Os últimos 4 ou 5 km até chegar na Ponte da Amizade por Ciudad del Este foramum caos, costurando de corredor prá corredor no trânsito parado.

Cheguei no hotel Rafain Centro pelas 17h30, descarreguei e encontrei o Jaime e o Edílson na piscina.

Jantamos num restaurante de frutos do mar em frente ao hotel, pegamos um rodízio, saiu a bagatela de R$117 por pessoa.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Dia 13 (9 de dezembro): Tilcara a Formosa

Dia longo, cerca de 1050km em 12 horas de estrada...

Levantamos pelas 6h, arrumamos tudo nas motos e depois fomo tomar café pelas 7h. O hotel ficou em 230 pesos por pessoa.

Abasteci na saída de Tilcara e o Cagivão fez 16,6 km/l na descida do Paso Jama a Tilcara.

Combinamos uma tocada de 130km/h, com abastecimento a cada 180km pois iríamos pegar trechos com intervalos longos entre postos.

Descemos até Jujuy e pegamos a ruta 34. A caminho de Jujuy, quando a estrada ficou mais rápida, o impacto do vento a 130km/h na GoPro no capacete exigia muita força no pescoço, extremamente desconfortável, e assim que mudamos de estrada depois de juJuy parei prá guardar a GoPro.

Em Embarcación a estrada estava bloqueada por manifestantes. Fomos furando a fila de carros e caminhões parados (moto tem suas vantagens...) até chegarmos no bloqueio, onde encontramos a estrada bloqueada com galhos, restos de fogueiras e "manifestantes" sentados em cadeiras dobráveis no meio da estrada. E dois gendarmes olhando tudo...

O Edílson desceu da moto e foi falar com os Gendarmes, perguntou como fazíamos para passar, eles indicaram o manda-chuva da manifestação e o Edílson foi falar com ele (a minha vontade era acelerar a moto sobre um trecho onde duas pontas de galho se juntavam no bloqueio, mas vai que os manifestantes tem rádio ou celular prá avisar os outros bloqueios mais à frente... dava prá ver mais um mais adiante...).

O Edílson disse ques estávamos apenas de passagem, o cara viu que somos brasileiros e perguntou quem ganharia a copa do mundo ano que vem, nós ou eles, o Edílson disse torcer pro Brasil ser eliminado na primeira fase, o cara riu e deixou a gente passar. Foram quatro barreiras de galhos ao longo de uns 2 ou 3 km.

Um pouco adiante quebramos para leste na ruta 81. Quando deu 100km rodados após o último abastecimento comecei a olhar no GPS quais eram os postos de gasolina no caminho e vi que o primeiro era 150 km adiante (250km rodados), dentro de um vilarejo, e o seguinte 120km depois dele. Enquanto olhava o Jaime e o Edílson se distanciaram e não consegui mais contato - eu os via mais adiante na estrada, quase no "horizonte", mas com o consumo exagerado do Cagivão a gasolina estava muito crítica prá arriscar uma esticada prá alcançá-los. Esperei alcançá-los quando eles reduzissem aos 180km rodados.

Eles não reduziram, e quando deu 230km rodados o Cagivão perdeu potência e virei a torneira de gasolina para a reserva (4 litros de um tanque de 24 litros) e tirei a mão, passando a rodar a 90km/h, esperando encontrá-los na entrada do vilarejo.

Quando chego no vilarejo, nada deles... tive que decidir entre esperar por eles ali, seguir em frente usando o galão de 5 litros e ver se eles tinham parado mais à frente, ou entrar no vilarejo e arriscar desencontrar se eles voltassem prá me procurar nesse meio tempo - como já fazia 150km que eu devia ter sumido do retrovisor deles sem que eles reduzissem ou parassem prá me esperar, eu achei que a chance deles voltarem era mínima e entrei no vilarejo.

Muita areia nas ruas, e o posto não estava na posição indicada pelo GPS... como quem tem boca vai a Roma, perguntando umas 4 ou 5 vezes achei o posto, que só tinha gasolina regular a 10,50 pesos por litro... foram 22 litros... 11,22 km/l!

Decidi não seguir mais fora da velocidade econômica do Cagivão, o que por aqui parece ser 95 a 105 km/h... enquanto rodar a 130 km/h significava apenas um custo de 30% a 40% maior, estava tudo bem, mas agora o risco é ficar na estrada.

De volta à estrada, obras de recapeamento à frente... pergunto se haviam passado "dos chicos com motos grandes", disseram que sim, e que fazia tempo -  ótimo, pensei eu, eles não voltaram prá me procurar enquanto eu abastecia longe da estrada, não nos desencontramos.

Após 80km encontro os dois parados na sombra de uma árvore - eles pararam quando acabou a gasolina, haviam colocado os 10 litros dos galões nos tanques das motos - se eu tivesse seguido em frente sem reabastecer, usando os 5 litros do galão, teria tido pane seca e ficado na estrada uns 5 km antes de encontrá-los...

Conto o que havia acontecido e que vou tocar na faixa de 100 km/h, nos encontrando no hotel em Formosa.

O resto do dia foi uma monotonia com muito calor (mais tarde o Edílson disse ter visto 41,5 C no computador de bordo da BMW), uma "tempestade" de borboletas brancas que durou quase 100km e deixou moto, farol, bolha, viseira, tudo emporcalhado, seguido de uma chuva rápida que refrescou e lavou pelo menos a viseira.

Andando na boa, de 95 a 105 km/h, o Cagivão está fazendo quase 15 km/l, bem longe dos 19 km/l que fazia nessa velocidade nas outras viagens.

Cheguei em Formosa pelas 19h30, ainda com luz, com tempo prá um mergulho na piscina e uma cerveja após descarregar.

O hotel, Astérion, fica um pouco longe do centro, mas é até luxuoso (em especial após SPA e Bolívia). Jantamos nele mesmo, um bife de chorizo falsificado, mas gostoso.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Dia 12 (8 de dezembro): San Pedro de Atacama a Tilcara

Levantamos pelas 7h prá montar a bagagem na moto (eu consegui acomodar tudo sem usar umas das bolsas de alforge e vou voltar com ela sobre o tanque reserva no assento do garupa, eliminando o arrasto das malas laterais - quero saber se o consumo elevado do Cagivão é devido ao arrasto ou algo na moto).

Tomamos café e saímos prá estrada pelas 9h da manhã... parei quando pegamos asfalto prá colocar um pouco de óleo na corrente (não havia colocado durante a estadia em SPA prá evitar que grudasse pó e formasse uma pasta abrasiva).

Paramos prá uma foto do Licancabur durante a subida, depois acabamos nos separando, o Jaime e o Edílson tocando mais forte, e eu atrás. No topo da subida já estavfa frio e parei prá instalar os cobre-manos, a pescoceira e fechar os respiros da jaqueta (já saí com o forro instalado de SPA).

Algumas pausas para fotos no caminho, re-encontrei o Jaime e o Edilson na aduana após o Paso de Jama. Na entrada na Argentina quiseram olhar o conteúdo do meu bauleto, o que bagunçou toda a amarração do tanque reserva e alforge, que ficaram depois pendendo para a esquerda.

Abastecemos no Paso Jama, o Cagivão fez 14,8 km/l.

Após a aduana só nos re-encontramos no topo da Cuesta de Lipan... mas descemos separados, o Jaime eo Edílson acelerandpo entre curvas e eu praticamentre no freio motor.

A estrada está bem pior que quando subimos, chegamos a passar sobre terra de barreiras caídas...

O Jaime e o Edílson estavam esperando no posto em Tilcara (onde foram assediados por um ônibus de velhinhas que queriam tirar fotos com eles e as motos), mas não vi as motos paradas e segui para o hotel (não abasteço antes de parar prá evitar que vaze gasolina quando o combustível esquentar com o calor do motor).

A Pousada con los Ángeles continua uma graça, mas eles tam descuidado da manutenção: ervas daninhas no gramado do jardim, vazamentos no aquecedor e pia no quarto, e principalmente, dedetização: tinha muito inseto - entre eles pernilongos - no quarto.

Descarreguei e estava voltando ao posto de gasolina prá procurar os dois quando dou de cara com eles a duas quadras da pousada.

O restaurante da pousada não está funcionando (acho que só mais tarde na temporada), assim fomos procurar um que o Jaime tinha visto no TipAdvisor, o Nuevo Progresso. Pedimos um vinho da região (um blend de malbec+shirah+cabernet sauvignon da Punta Corral, de Jujuy, safra 2011, por 130 pesos), indicação da
garçonete. Eu peguei um filé de lhama com molho de cogumelos, o Edílson com molho de pimenta, e o Jaime foi no bife de chorizo  - todos muito bons, mas em porções moderadas, suficientes prá matar a fome sem empanturrar. Pedimos também sobremesa, eu panqueca com doce de leita, o Edílson um mousse de chocolate e o Jaime uma coleção de frutas. Tudo saiu 200 pesos por pessoa, um pouco acima do esperado, mas a comida e o atendimento estavam excelentes e valeu.

Na volta passamos numa mercearia prá comprar água mineral e acabamos trocando dólares a 8,5 pesos / dolar.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Dia 11 (7 de dezembro): San Pedro de Atacama

Levantamos pelas 7h30, tomamos café e fomos pro Valle de la Luna de moto pelas 8h30.

A estrada sai do "rodoanel" (a estrada prá Calama que dá a volta na cidade) ao longo do contorno da cidade (há uma placa sinalizando Valle de la Luna no "rodoanel" - não tinha nada disso quando vim há 5 anos).

O "rodoanel" é asfalto, mas a estrada do Valle de la Luna é terra desde o começo. Após uns 2km há um centro de visitanes com uma cancela bloqueando a estrada, mas há um vão na lateral pelo qual passamos com as motos.

A estrada foi invadida por areia num ponto, necessitando algum cuidado prá passar com as motos, mas o resto era cascalho fino ou terra batida.

Estávamos só nós e uma pick-up vermelha. Fomos parando prá tirar fotos até encontrarmos um novo bloqueio, desta vez com cavaletes - puxamos um deles pro lado e seguimos em frente. Logo em seguida há uma longa descida na qual fizemos vídeos, mas no morro seguinte havia uma cancela com cadeado e não dava prá passar pelo lado - toca voltar tudo!

Na volta, puxei o cavalete pro lado e fui passar minha moto, o Edílson passou e o cavalete caiu na frente dele - ele conseguiu frear, mas a moto tombou e ficou bancando o pião cada vez que a roda traseira encostava no chão até que ele cortou a ignição - a única coisa boa é que tombou pro lado direito, que já estava ralado.

Voltando prá cidade, abastecemos e o Cagivão fez 17km/l rodando com gasolina chilena e sem carga. Aproveitei prá comprar um conjunto de mapas da COPEC - o rodoviário custa 3.000 pesos e os guias turísticos custam de 4.000 a 5.000 pesos. A gasolina de 93 octanas custa 827 pesos por litro (US$1,59).

Passamos o resto da tarde no hotel arrumando a bagagem, pois amanhã iniciamos a volta. A Gisele mandou via WhatsApp uma foto da Lua que ela tirou no Programa Astronômico ontem, e o Edílson resolveu ir no passeio... quando fomos na agência às 18h eles ainda não tinham confirmação se haveria o passeio e mandaram voltar entre 20h e 20h30 - eu acho que eles só sabem se vai rolar às 20h, mas mandam passar lá às 18h prá eles verificarem se quem reservou vai aparecer (e venderem o lugar prá outro dos que não aparecerem).

A cidade está bem cheia, inclusive com famílias chilenas com crianças bem pequenas nas ruas. Parece ter um afluxo de gente no final de semana e uma debandada na segunda-feira, algo que não esperávamos prá uma cidade tão longe de tudo.

Voltamos pro hotel, aproveitei prá postar mais um dia no blog e logo eram 20h e tínhamos que passar na Space e dali pro La Casona pro jantar. Encontramos a Gisele na Space procurando o Juliano (ela tinha desistido da excursão pro Valle da Luna e o Juliano foi sozinho). Fiquei fazendo companhia prá ela enquanto o Jaime e o Edílson voltavam pro hotel prá pegar mais agasalhos (A Gi disse ter passado muito frio). Quando o Juliano chegou fomos pro La Casona pegar uma mesa.

Não se pode elogiar... tínhamos falado tão bem do restaurante pro Juliano e Gisele e dessa vez o atendimento foi ruim, alguns pratos vieram com o miolo congelado. Prá compensar nos deram um licor de cortesia. Cerca de 15.000 pesos por pessoa, com vinho mas sem sobremesa.

Ás 10h50 estávamos os três na esquina combinada, carregados de agasalhos, esperando o micro-ônibus para nos levar ao Programa Astronômico. Fomos em direção a Toconao por uns 10km, depois pegamos uma estrada de terra à direita e após cerca de um quilômetro o motorista apagou a farol e vimos que o caminho estava sinalizado com leds.

Quando descemos do ônibus fomos recepcionados - no escuro - pela Alexandra, que nos explicou que o programa era constituído de 3 partes: uma explicação básica, seguido de observações nos telescópios (tudo ao ar livre), seguido de uma seção tira-dúvidas acompanhada de chá/café/chocolate quente dentro da casa.

A explicação parte do básico, os tipos de corpos celestes visíveis, o sistema solar e o plano da eclíptica eas constelações do zodíaco, o movimento do céu com a rotação da Terra e da mesma em torno do Sol, a influência da latitude no céu, etc.

Muita informação, duvido que quem já não tivesse alguma noção do assunto tenha entendido tudo...

Na segunda parte, alguns dos telescópios tinham motor prá compensar a rotação da Terra e permanecer apontados pro mesmo ponto do céu, mas a maioria não e a Alexandra tinha que ficar correndo de um pro outro prá reposicioná-los à medida que o tempo passava.

Observamos a Lua (em fase crescente, mas pudemos observar por pouco tempo, pois ela logo se pôs), Júpiter (dava prá ver as bandas e três satélites), Sírius, Betegeuse, as Plêiades, a Nebulosa da Tarântula, uma nebulosa na espada de Orion, uma galáxia (não lembro o número dela), um aglomerado globular, um aglomerado de galáxias (a Alexandra disse haver seis galáxias no campo visual, eu só vi uma).

Foi muito legal, apesar de caro (18.000 pesos). Chegamos no hotel eram quase 2h da manhã...