O Jaime e o Edílson devem ter esquecido de colocar um despertador prás 4h, pois acabaram acordando e levantando pelas 6h.
Levantei por último, enquanto eles arrumavam as coisas, e desci pro café da manhã depois deles descerem prá colocar a bagagem nas motos.
Eles devem ter saído pelas 7h30, eu fui sair lá pelas 9h30, após fechar a conta do hotel (R$540 prá três pessoas por duas noites com a despesa do frigobar).
Estou rodando por Foz de Iguaçu em direção à estrada quando um cara num carro faz sinal prá encostar, apontando prá traseira da moto... eu pensei que havia algo errado com a bagagem e encostei, mas não era nada disso, era um cagiveiro de Foz, o Papito... ficamos bem uma meia-hora batendo papo, depois segui viagem.
Tava tudo indo tranquilamente até perto de Guarapuava, quando vi uma baita chuva no horizonte e o mapa da estrada no GPS dizia que eu ia em direção a ela... como a esperança é a última que morre, continuei, com a esperança de passar apenas pela borda da chuva... dito e feito, mas mesmo assim foi o suficiente prá me ensopar todo, e o pior, a moto perdeu potência por um pequeno trecho, recuperou, mas uns 10 km depois perdeu novamente e não recuperou mais: dava prá fazer uns 60 km/h no plano, mas na subida caía pruns 30 km/h! Isso eram 15h30 e faltavam quase 600km prá Sampa.
Abasteci uns 30km depois disso (média de 16,22 km/l) e a moto passou a recuperar um pouco, dava prá chegar em 5.000 rpm e manter uns 90 a 100 km/h no plano e uns 60 km/h na subida, mas perto de Castro ela pediu reserva com 159 km rodados... abasteci e deu uma média de 7,74 km/l!
Resolvi ir na manha, rodando até uns 60km/h e 3.000 rpm, e parar quando ficasse cansado demais - já não contava de chegar em Sampa hoje. Antes de sair do posto fui olhar as velas... a traseira ficava pouco acessível sob a lateral do tanque e eu fiquei com medo de tirar o cachimbo e não conseguir colocar de novo (aí teria que tirar toda a bagagem, o banco e o tanque de combustível, coisa que eu não queria fazer se pudesse evitar), mas a dianteira estava fácil... tirei o cachimbo dianteiro, dei a partida e o motor não pegou - o cilindro traseiro não funcionava.
Como eu não queria mexer na vela traseira, fui olhar os CDIs (eu não sabia qual era de cada cilindro)... soltei o CDI da frente e um dos conectores do mesmo se soltou, tentei ligar a moto e nada - esse era o CDI do cilindro traseiro. Tentei soltar o CDI de trás (o do cilindro dianteiro), pensando em trocá-los e ver se o problema era CDI (eu tinha CDIs de reserva na bagagem), mas não consegui soltar os conectores do CDI de trás, minha mão não entrava o suficiente no espaço entre a carenagem e o tanque - como a moto rodava, resolvi seguir assim mesmo, com uma e450 ao invés de uma e900.
Fui de cidade em cidade (Itararé, Itapeva, Capão Bonito, Itapetininga, Tatuí, Boituva), parando a cada 2h, cerca de 120km, com a moto fazendo cerca de 10 km/l, e cheguei em casa pelas 4h30 do da sexta-feira 13 de dezembro - foram 19 horas de estrada, 13 delas prá percorrer os últimos 600km.
Dormi algumas horas, descarreguei e fui de e450 até o Hall prá ver o que havia acontecido. Ele tirou fora o tanque, olhou as velas, viu que não havia faísca na vela traseira, trocou os CDIs de posição e voilá, faísca no cilindro traseiro (isso era o que eu queria ter feito na estrada mas não quis desmontar tudo).
Ele me mostrou que dava prá tirar a vela do cilindro traseiro sem tirar o tanque (o vão era suficiente), e que se soltasse os parafusos da carenagem esquerda dava prá puxá-la um pouco prá fora e ter espaço prá mexer no CDI.
Mais ainda, se eu tivesse tirado a vela do cilindro traseiro o cilindro dianteiro não teria que trabalhar prá comprimir mistura que não seria queimada no cilindro traseiro, e nem haveria vácuo no ciclo de admissão prá criar venturi no carburador - a moto provavelmente teria rodado pelos 16 km/l mesmo monocilindríca!
Vivendo e aprendendo!
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