Na véspera já havíamos separado o que levaríamos conosco prá Uyuni e o que deixaríamos aqui em SPA.
Após o café da manhã fomos acertar a conta, já deixando pago também a estadia de duas noites após a volta de Uyuni. Houve alguma confusão quando o Edílson quis pagar a parte dele (US$147) com cartão de crédito ao invés de dólares e a moça do hotel lançou 147.000 pesos chilenos (quase US$300) na máquina de cartão, mas após um bocado de confusão (e dois recibos com valores completamente irreais) ela devolveu o excesso em dólares pro Edílson.
A van da Cordillera Travellers veio nos pegar no hotel pelas 8h... dali passamos pela aduana chilena aqui em SPA prá fazer nossa saída do Chile, depois subimos o morro pela estrada que vem do Paso Jama até a saída para a Bolívia (já acima dos 4.000m de altitude), onde acaba o asfalto.
Na van conhecemos o Juliano e a Gisele, do Rio de Janeiro, que fariam o mesmo pacote que nós.
Após uns 5km de terra chegamos na aduana boliviana, onde fizemos os trâmites da entrada na Bolívia, nos foi servido o café da manhã (suco, chá, café solúvel, leite em pó, pão, manteiga, queijo, presunto), depois nos foram apresentados nosso condutor (Jona) e veículo pelos próximos 3 dias até Uyuni, uma Toyota Land Cruiser com rack no teto prá bagagem (e pelo menos 3 tanques de 20 litros de gasolina!), uma terceira fileira de bancos ed pneus off-road.
Tirando que a ventilação forçada não funcionava (toca abrir e fechar janela), o resto estava OK... havia espaço suficiente para as pernas em todos os lugares, e apenas na terceira fileira faltava espaço prá cabeça no meu caso e do Jaime. Fomos rodando os lugares a cada parada, exceto que o Juliano e a Gisele escolheram ficar com os bancos da terceira fileira.
Juntou-se a nós um rapaz de Israel cujo nome não consegui gravar, e que não falava uma palavra de espanhol.
Seguimos num comboio meio solto (re-agrupava a cada parada, mas rodava cada carro por si entre elas) de 3 Land Cruisers da Cordillera Traveller (havia mais pelo menos meia dúzia de Land Cruisers de outras agências embarcando gente na fronteira).
A primeira parada foi poucos quilômertros à frente, contornando o vulcão Licancabur, junto à Laguna Blanca, onde pagamos a entrada na área de preservação (150 bolivianos), e onde havia banheiro (limpos) por 5 bolivianos.
Seguimos adiante a paramos na Laguna Verde para fotos (muito bonita), depois junto a uma encosta de formações rochosas surreais no meio da areia que chamaram de Deserto de Dali, depois passamos pela Laguna Salada e paramos nos Termales, onde uma fonte térmica foi transformada numa piscina. Não há vestiários, mas eu estava com bermuda de lycra sob a roupa, o que tornou tudo fácil (há um restaurante e banheiro - pago - um pouco acima na encosta, mas pela absoluta falta de limpeza do banheiro e lixo no entorno não recomendo).
A água é quase dolorosamente quente, ao entrar, depois se acostuma. Sentado junto a vertedouro no muro de barragem (que por dentro está revestido de um musgo muito macio, confortável de encostar) fiquei com água até o pescoço.
Fiquei de molha lá por uns 10 minutos, depois saí por medo do sol, esperei o corpo secar na sombra (a água é doce, e sequei em menos de 5 minutos).
Depois que saímos um grupo de outro carro entrou na
piscina e ficamos olhando (umas 5 ou 6 francesas na faixa dos 20
aninhos...)
Quando voltávamos pro carro prá seguirmos em frente o Jona nos disse que um dos carros do comboio não havia chego e que ele voltaria prá ver o que tinha acontecido, e perguntou se queríamos ir junto esperar ali - preferimos esperar ali, sabendo que o que quer que tivesse acontecido seria perrengue e provavelmente envolveria rebocar o outro carro.
Já que íamos esperar, preferimos esperar na água quentinha e voltamos prá piscina - só que não lembramos de passar filtro solar e eu e o Edílson ganhamos umas queimaduras bem doloridas...
Após mais de hora chega o Jona rebocando o outro carro. Ele aproveitou o rádio do pessoal do restaurante prá avisar uma base do ocorrido e eles mandariam outro carro para o refúgio na Laguna Colorada (onde passaríamos a noite) pro pessoal do outro carro continuar o passeio - e o Jona voltaria até os Termales prá pegar esse pessoal após nos deixar no refúgio na Laguna Colorada.
Seguimos o passeio até um campo termal que eles chamam de Geisers apenas, mas que nos mapas está como Caminho da Manhã. Vimos primeiro uma fumarola com cheiro de H2S que poderia mover uma turbina, tamanha a pressão com que o vapor sai. Nas cercanias havia poças de uma lama cinza borbulhante. Impressionante, vale a visita.
Dos Geisers pegamos uma quebrada por uma encosta de pedregulhos (do tamanho de uma bola de bilhar, ao menos) que não dá prá chamar de estrada (e o Jona tem o hábito de pegar variantes fora da estrada principal sempre que possível, assim fica difícil distinguir quando mudamos de estrada), até uma outra estrada que desce prá Laguna Colorada.
Contornamos a laguna para a esquerda (dava prá ver caminhões contornando pela direita), depois saímos da aestrada novamente indo até a encosta do morro mais próximo, em cuja base estava o refúgio.
Muito mais ajeitado do que eu esperava... quartos para 6 com camas em alvenaria com colchão e coberta que pareciam limpos e chão de madeira também limpo, luz acionada por baterias recerregadas por painéis solares, banheiro unisex com 2 boxes com latrinas, mas sem falta de água, refeitório.
Descarregamos o carro, nos estabelecemos, almoçamos (salsicha cozida e depois frita, purê de batatas, tomates, pepinos e palta), depois o Jona saiu prrá buscar o pessoal do carro que quebrou enquanto dávamos um rolê pela região: subimos o morro atrás do refúgio (esforço nada desprezível a 4.700m de altitude), depois fomos a pé até o vilarejo vizinho (uns 500m) onde os Land Cruisers das outras agências haviam parado. Havia alguma infra-estrutura lá, com pousada e vendinhas.
De volta pro refúgio e o lanche da tarde ficamos batendo papo com um grupo de portugueses que estava fazendo o sentido contrário (Uyuni-SPA).
Uma nas melhores partes do refúgio é a oportunidade de bater papo com gente de tudo que á parte do mundo... encontramos dois que arranhavam o português: um vietnamita que já estava há uns 4 meses na américa do sul (pela n-ésima vez) e um norueguês que já havia estado no Brasil e fala uma penca de idiomas.
O jantar foi sopa (boa, mas não sei do que era feita) seguida de espaghetti.
Após o jantar tentamos ver as estrelas, mas não deu muito certo devido à nebulosidade e ao frio.
Desacostumei dormir em saco de dormir: não consigo mais dormir com o saco fechado, não consigo acomodar os braços a não ser deitado de costas, posição em que não consigo ficar por mais que meia-hora... entre as idas ao banheiro, coceira que me fez tomar um anti-alérgico, e a dificuldade de me posicionar confortavelmente, foi uma noite muito mal dormida...
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