domingo, 1 de dezembro de 2013
Dia 4 (30 de novembro): de Salta a San Pedro de Atacama
Levantamos razoavelmente cedo e arrumamos tudo antes do café da manhã com o intuito de sair o mais cedo possível prá ter mais tempo prá parar prá fotografar.
O hotel (Pousada Huyaruro) custou 300 pesos, mais 50 pesos por uma vaga num estacionamento vizinho. Foi um bom hotel, com quarto espaçoso, um café da manhã bom pros padrões argentinos (café ou café com leite ou chá, um croissant, um pão tipo biscoito, manteiga e geléia, um copo de suco de laranja). O pessoal que nos atendeu no final da tarde quando chegamos foi bem atencioso, mas a mulher que tomava conta da lojinha de manhã estava ficando histérica e aporrinhando achando que íamos ir embora sem pagar.
Há cinco anos fomos de Salta prá Jujuy por uma estrada nas montanhas (que é a primeira opção do gps) que é mais curta, mas muito travada, com trechos com uma única faixa. Desta vez voltamos uns 50km até a estrada que passa a leste fora das montanhas, pois apesar de ser mais longe, dá prá manter 120km/h na boa.
Muito bonito o trecho ao norte de Jujuy. Quando passei há 5 anos foi embaixo duma p... chuva e não deu prá apreciar nada - hoje foi céu azul e sol, com cores vibrantes na paisagem.
Seguimos 30km além de Purmamarca, até Tilcara, para abastecer, depois voltamos e tome Cuesta de Lipan!
A estrada piorou muito nestes 5 anos... era um tapete, agora tem um monte de curvas em que o asfalto já era, é cascalho mesmo!
Depois que se chega ao topo do Lipan, pelos 4.200m de altitude, a estrada volta a ser o tapete de que me lembro, mas minha lembrança do Salar Grande é dele muito mais branco: desta vez me pareceu bem mais sujo de marrom.
Paramos prá abastecer e um lanchinho em Susques (3.500m de altitude), depos seguimos em direção à Aduana Argentina distante cerca de 80km.
No caminho diminuí prá ajeitar algo e quando fui retomar a moto começou a falhar (estava a perto de 4.000m de altitude). Após uns 20km de trancos e dificuldade em manter 60km/h percebi que estava com o acelerador totalmente aberto... fechei o mesmo e fui abrindo até a moto começar a falhar, aí fechava um pouqinho e ia controlando (fechando) à medida que o giro subia - dessa forma conseguia atingir 4.500rpm prá passar marcha e começar tudo de novo aos 3.800rpm e assim consegui chegar aos 90km/h.
A uns 20km da aduana argentina alcancei o Edilson. Eu pensei que ele estava devagar prá me esperar, mas na verdade ele estava se sentindo mal com a altitude (tontura e dor de cabeça) e havia tirado a mão por segurança.
Só fiquei sabendo disso na aduana, onde encontramos o Jaime que também estava com tontura. Eu, se me movimentasse rápido sentia falta de ar, e se relaxasse sentia uma leve tontura como se tivesse hiperventilado.
Abasteci no posto YPF que tem junto da aduana... o Cagivão fez imensos 11km/l nesse trecho! (meu carro bebe menos!)
Na aduana, ficamos sabendo que o prédio agora incorporava os trâmites do Chile (que antes eram feitos em San Pedro de Atacama, 150km depois da fronteira). Ficou melhor, mas o Chile continua sendo uma tremenda burocracia, com todos os nossos dados tendo que ser informados, formulários preenchidos com os mesmos no papel e no computador e os mesmos documentos apresentados em três diferentes guiches (agora um ao lado do outro!). Depois disso, o rapaz da aduana vai conosco até as motos e pede prá abrir todos os volumes prá ele olhar...
Enfim, dadas as circunstâncias até que foi rápido...
Da aduana pro Paso Jama (4.200m de altitude) é um pulinho, menos de 10km.
Feitas as habituais fotos, um pouco corridas devido ao vento forte que soprava (o Jaime perdeu um protetor de pescoço ali, provavelmente colocado sobre a moto e carregado pelo vento sem que ele visse).
Tempo bonito, sempre acima de 4.200m, com duas passagens pelos 4.800m de altitude ao longo dos 110km até o início da descida. Foi esfriando aos poucos, e quando já havia percorrido uns 90km no altiplano acabei por parar prá colocar os sobre-manos no guidão: o aquecedor de manoplas aquecia a palma das mãos, mas a parte externa dos dedos doía de frio.
A descida (cerca de 30km de extensão para descer dos 4.500m para os 2.400m de San Pedro de Atacama) foi feita no freio motor a cerca de 70km/h, com sol na cara, mas com direito ao vulcão Licancabur completamente visível à nossa direita (há cinco anos ele estava encoberto por nuvens todo o período que fiquei em SPA).
Paramos na entrada da cidade e coloquei o endereço do hotel (Quechua Hotel) no GPS e fui seguindo as instruções... chegando no destino, nada de hotel!
Pego o celular, abro o PDF do voucher, vejo o mapinha que estava no mesmo e comparo com o mapa do GPS... estávamos na rua certa, mas havíamos passado do hotel em algumas centenas de metros.
O hotel é uma graça, quarto espaçoso, móveis novos, espaço à vontade prá parar veículos (parece uma chácara). Os únicos defeitos foi não ter armários no quarto e alguns problemas com a fixação da ducha e vazamento no box do banheiro.
Saímos prá jantar procurando um lugar que aceitasse cartão, pois só eu tinha algum peso chileno, mas não o suficiente prá uma refeição para três (amanhã vamos atrás de câmbio). Cada um comeu um prato de carne, uma cerveja e uma água mineral, saiu 15.620 pesos chilenos por pessoa (um dolar vale cerca de 500 pesos chilenos).
Link prás fotos da travessia
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