Dia longo, cerca de 1050km em 12 horas de estrada...
Levantamos pelas 6h, arrumamos tudo nas motos e depois fomo tomar café pelas 7h. O hotel ficou em 230 pesos por pessoa.
Abasteci na saída de Tilcara e o Cagivão fez 16,6 km/l na descida do Paso Jama a Tilcara.
Combinamos uma tocada de 130km/h, com abastecimento a cada 180km pois iríamos pegar trechos com intervalos longos entre postos.
Descemos até Jujuy e pegamos a ruta 34. A caminho de Jujuy, quando a estrada ficou mais rápida, o impacto do vento a 130km/h na GoPro no capacete exigia muita força no pescoço, extremamente desconfortável, e assim que mudamos de estrada depois de juJuy parei prá guardar a GoPro.
Em Embarcación a estrada estava bloqueada por manifestantes. Fomos furando a fila de carros e caminhões parados (moto tem suas vantagens...) até chegarmos no bloqueio, onde encontramos a estrada bloqueada com galhos, restos de fogueiras e "manifestantes" sentados em cadeiras dobráveis no meio da estrada. E dois gendarmes olhando tudo...
O Edílson desceu da moto e foi falar com os Gendarmes, perguntou como fazíamos para passar, eles indicaram o manda-chuva da manifestação e o Edílson foi falar com ele (a minha vontade era acelerar a moto sobre um trecho onde duas pontas de galho se juntavam no bloqueio, mas vai que os manifestantes tem rádio ou celular prá avisar os outros bloqueios mais à frente... dava prá ver mais um mais adiante...).
O Edílson disse ques estávamos apenas de passagem, o cara viu que somos brasileiros e perguntou quem ganharia a copa do mundo ano que vem, nós ou eles, o Edílson disse torcer pro Brasil ser eliminado na primeira fase, o cara riu e deixou a gente passar. Foram quatro barreiras de galhos ao longo de uns 2 ou 3 km.
Um pouco adiante quebramos para leste na ruta 81. Quando deu 100km rodados após o último abastecimento comecei a olhar no GPS quais eram os postos de gasolina no caminho e vi que o primeiro era 150 km adiante (250km rodados), dentro de um vilarejo, e o seguinte 120km depois dele. Enquanto olhava o Jaime e o Edílson se distanciaram e não consegui mais contato - eu os via mais adiante na estrada, quase no "horizonte", mas com o consumo exagerado do Cagivão a gasolina estava muito crítica prá arriscar uma esticada prá alcançá-los. Esperei alcançá-los quando eles reduzissem aos 180km rodados.
Eles não reduziram, e quando deu 230km rodados o Cagivão perdeu potência e virei a torneira de gasolina para a reserva (4 litros de um tanque de 24 litros) e tirei a mão, passando a rodar a 90km/h, esperando encontrá-los na entrada do vilarejo.
Quando chego no vilarejo, nada deles... tive que decidir entre esperar por eles ali, seguir em frente usando o galão de 5 litros e ver se eles tinham parado mais à frente, ou entrar no vilarejo e arriscar desencontrar se eles voltassem prá me procurar nesse meio tempo - como já fazia 150km que eu devia ter sumido do retrovisor deles sem que eles reduzissem ou parassem prá me esperar, eu achei que a chance deles voltarem era mínima e entrei no vilarejo.
Muita areia nas ruas, e o posto não estava na posição indicada pelo GPS... como quem tem boca vai a Roma, perguntando umas 4 ou 5 vezes achei o posto, que só tinha gasolina regular a 10,50 pesos por litro... foram 22 litros... 11,22 km/l!
Decidi não seguir mais fora da velocidade econômica do Cagivão, o que por aqui parece ser 95 a 105 km/h... enquanto rodar a 130 km/h significava apenas um custo de 30% a 40% maior, estava tudo bem, mas agora o risco é ficar na estrada.
De volta à estrada, obras de recapeamento à frente... pergunto se haviam passado "dos chicos com motos grandes", disseram que sim, e que fazia tempo - ótimo, pensei eu, eles não voltaram prá me procurar enquanto eu abastecia longe da estrada, não nos desencontramos.
Após 80km encontro os dois parados na sombra de uma árvore - eles pararam quando acabou a gasolina, haviam colocado os 10 litros dos galões nos tanques das motos - se eu tivesse seguido em frente sem reabastecer, usando os 5 litros do galão, teria tido pane seca e ficado na estrada uns 5 km antes de encontrá-los...
Conto o que havia acontecido e que vou tocar na faixa de 100 km/h, nos encontrando no hotel em Formosa.
O resto do dia foi uma monotonia com muito calor (mais tarde o Edílson disse ter visto 41,5 C no computador de bordo da BMW), uma "tempestade" de borboletas brancas que durou quase 100km e deixou moto, farol, bolha, viseira, tudo emporcalhado, seguido de uma chuva rápida que refrescou e lavou pelo menos a viseira.
Andando na boa, de 95 a 105 km/h, o Cagivão está fazendo quase 15 km/l, bem longe dos 19 km/l que fazia nessa velocidade nas outras viagens.
Cheguei em Formosa pelas 19h30, ainda com luz, com tempo prá um mergulho na piscina e uma cerveja após descarregar.
O hotel, Astérion, fica um pouco longe do centro, mas é até luxuoso (em especial após SPA e Bolívia). Jantamos nele mesmo, um bife de chorizo falsificado, mas gostoso.
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