sábado, 3 de março de 2012

Dia 11 (2 de março): de Pucon (CH) a Malargue (AR)

Ontem o dia foi roubada ao cubo!

Começou razoavelmente bem, com chuvisco bem fraco ou nenhum.

Eu havia modificado a configuração do GPS prá evitar estradas não pavimentadas, pois não havia gostado da cara dessas estradas no Chile (muita pedra solta) e havia chovido muito.

Qual não é minha surpresa quando vejo uma placa de "fim de pavimento" à minha frente?

O mapa do Projeto Mapear deve ter problemas com o status de algumas estradas no Chile.

Enfim, quem está na chuva é prá se molhar (literalmente!), assim segui em frente... foram 26km de estrada estreita nesse trecho, depois cheguei no asfalto novamente.

Abasteci em Cunco, passei por Melipeuco e novamente a placa "fim de pavimento" já na saída de Melipeuco... daí foram mais 90km de rípio até a aduana chilena pro Paso Pino Hachado.

A estrada era melhor que a do primeiro trecho, mas havia diversos trechos perto de Icalma em que jogaram cascalho e passaram a motoniveladora, deixando tanto o cascalho como a terra solta... a traseira "sambar" no cascalho é normal, agora, quando a frente começa a fazer o mesmo, haja braço!

O Paso tem apenas 1850 m de altitude, e do lado chileno a estrada é ótima, larga, com curvas amplas e excelente visibilidade; do lado argentino somos brindados com trechos de algumas centenas de metros de rípio algumas vezes... ainda bem que vou devagar, senão não dava prá frear!

A aduana argentina estava um caos: há linhas de ônibus que usam esse passo, e um estava sendo atendido... mais uma hora perdida ali... a projeção da minha chegada a Malargue já estava quase pelas 20h.

Abasteço em Las Lajas sem problemas (a não ser não aceitarem cartão) e sigo pro norte pela Ruta 40.

Paisagem muito bonita, chega a subir dos 900m aos 1500m no contorno do vulcão Tromel (que chega a 4.100m), passei por Chos Malal (que fica num lugar muito bonito), distraí e perdi a entrada da cidade (o posto fica dentro da cidade)... como o GPS dizia haver posto 20km à frente não fiz meia-volta prá entrar na cidade.

Foi quando as coisas começaram a complicar... todos os postos dali prá frente ou estavam sem combustível, ou não existiam mais.

Quando entro na província de Mendoza a estrada estreita e os caminhões fazem as curvas com rodas no acostamento... resultado: cascalho na pista em todas as curvas! Toca tirar a mão e fazer as curvas a menos de 60km/h...

A uns 180km de Malargue vejo a famigerada placa de "fim de pavimento"!

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Já eram umas 19h30, e a previsão do GPS prá chegada em Malargue era 21h20...isso seguindo o limite legal de velocidade da rodovia, 110km/h... a que horas eu iria chegar a 60km/h?

Fazer o quê? Segui em frente... nesse trecho foram 50km de rípio, com direito a muita costela de vaca, poças de talco que iam até o meio da canela, e facões de barro endurecido feito pelos caminhões (quando o barro estava mole), e o pior, poças de talco com facões de barro no fundo (a primeira dessas que peguei foi um dos maiores sustos que já levei sobre uma moto!)

Show de horror!

Já no lusco-fusco a moto deu pane seca, com 375km rodados desde Las Lajas.

Parei prá virar a torneira prá reserva, bate um pé de vento (creio que foi o vento, mas eu estava tão cansado que não descarto ter perdido o equilíbrio sozinho) e vamos eu e a moto pro chão!

Por sorte passou uma caminhonete no sentido contrário, parou e me ajudou a levantar a moto.

Já era noite quando cheguei no asfalto. O próximo posto estava assinaladao em Bardas Blancas, a 50km de distância... a reserva não seria suficiente, assim resolvi encostar e colocar no tanque a gasolina de uma das garrafas pet que carregava sobre o bauleto.

Descubro que uma das garrafas rachou e vazou todo o combustível... quando, não sei...

Ao inspecionar a moto vejo a grade de proteção do escapamento presa só pelo parafuso dianteiro, os dois traseiros haviam se soltado... prendo a mesma com um dos esticadores e sigo em frente.

Em Bardas Blancas não achei o posto... virei mais 4 litros das garrafas pet no tanque e segui prá Malargue, a 80km de distância.

Esses 80km estão em obras... mais da metade da distância são desvios de rípio ou tráfego pela base da estrada em vários estados de acabamento, de chão duro a cascalho com e sem passagem de rolo compressor... e pó, muito pó, cada vez que algum @%#W%#@%$ passava a milhão ao meu lado! Ô povinho mal-educado na estrada!

Tudo isso à noite!

Cheguei em Malargue eram 23h30, parei na loja de conveniência do posto de gasolina (havia fila prá abastecer) e comprei refri e cookies, pensando que essa seria minha janta, depois procurei um hotel bom, mesmo que caro... achei um com um restaurante ao lado (e aberto!) e fiquei por aqui mesmo.

Muito bom esse hábito dos argentinos de jantar tarde, à meia-noite entrei no restaurante e fiz meu pedido sem ouvir que a cozinha estava fechada... e ainda chegou mais gente pela 1h da manhã!

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