Acordei quando clareou, arrumei tudo na moto, tomei o café da manhã (não tão reforçado quanto no dia anterior, não queria "subir o morro" com a digestão pesada) e saí pelas 9h da manhã.

Subindo o vale onde está Vicuña, é vinhedo atrás de vinhedo, aguns deles completamente cobertos por telas.
O asfalto foi estendido mais um pouco além do que estava no mapa... quando cheguei numa curva e havia máquinas e piso de cascalho, encostei e baixei a calibragem dos pneus prá 20 libras... ando um pouco no cascalho e aparece asfalto novamente... depois mais obras e terra com cascalho, depois asfalto, até que virou rípio de vez.

Nessa altura tinham dois carros na minha frente levantando pó, mas de vez em quando dava prá ver que na frente deles havia 3 motos, e com malas laterais!
Encontrei com eles na aduana chilena, era um trio de Curitiba, com uma Xt660, uma Tiger e um GS 1200. Me arrumaram meio litro de água, pois havia esquecido de verificar o hidratador antes de sair e ele estava quase vazio. Seguimos juntos boa parte do caminho até o alto do morro.
A aduana chilena desta vez foi rápida, em menos de 15 minutos estávamos tirando fotos com o carabinero que controlava a cancela de saída, depois disso... ao Paso!

A travessia toda foi com céu nublado, ameaçando chuva, ou pior...

A estrada aqui é bem pior e mais travada que no Paso San Francisco... fui pianinho... em vários lugares (e toda a subida final) ela se separa em duas estradas distintas, uma para quem sobe e outra para quem desce.
Vídeo 1
Vídeo 2

Nesse ponto, já estava nevando!
Havia floquinhos de neve sendo carregados pelo vento, mas eles não chegavam a se depositar. E o frio não era tanto assim, não chegou a incomodar, mas também estávamos indo devagar, 30 a 40 km/h.

Paramos para as fotos junto dos bancos de gelo e no passo propriamente dito.



O Paso é na verdade uma grande montanha que se sobe de um lado (caracoles!) e se desce pelo outro (mais caracoles!), mas do lado argentino há uma única estrada, ainda bem que não veio ninguém no sentido contrário...

Parei para esperar os curitibanos passarem pelo ramo mais abaixo para tirar fotos e filmar, e depois disso só consegui alcançá-los na aduana, já em Las Flores.

Vídeo 3
Vídeo 4
Descido o morro do Paso, a estrada desce um vale suave e largo e permite velocidades maiores (eu cheguei a uns 70-80km/h), depois o vale estreita e fica íngrime, com vários mini-caracoles.
Foi só nessa parte que eu lembrei que prá fazer curva na terra é preciso deslocar o corpo prá frente, praticamente sentando sobre o tanque, prá colocar peso na roda dianteira e estabilizá-la... passei uns três sustos antes disso (duas travadas da roda traseira e uma roda dianteira "boba" numa curva), depois disso a frente sempre ficou firme e comecei a me divertir na descida (e a velocidade subiu de 30km/h para 45km/h).
O que no mapa aparece com o Aduana Argentina na verdade é um posto de controle da Gendarmeria... o soldado apenas anotou meu nome, RG e placa do veículo numa planilha e levantou a cancela... perguntei se dali prá frente era só asfalto, ele disse quem sim... empurrei a moto pro outro lado e fui abrir a bagagem prá pegar o compressor e voltar os pneus prás 30 libras.
É longe dali até a aduana, e cada vez mais quente (do lado argentino não ameaçava chuva, até saiu o sol)... cheguei na aduana (a 2000m de altitude) suando em bicas sob a armadura.

Os curitibanos estava ali, tiramos uma fotos juntos, trocamos URLs dos blogs e seguimos nossos caminhos... eles iam para norte, voltando por Santiago del Estero, eu ia pro sul, voltando por Cordoba.
Pousei num hotel indicado pelo pessoal do XT600 ali perto de Las Flores, o Termas de Pismanta... bom, mas volto lá daqui a uns 25 anos, será mais meu estilo então. Como o hotel é isolado e não tinha internet, não pude postar ontem.
Aproveitei prá uma sauna, e o jantar estava bom (o esquema foi em meia-pensão, com jantar e café da manha inclusos)
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